sábado, 11 de dezembro de 2010
COP 16: sucesso?
A COP 16 aprovou, na madrugada de hoje (sábado, 11), um pacote de acordos com ações para combater as mudanças climáticas. Diante do fracasso de Copenhague, no ano passado, que aprovou apenas uma vaga carta de intenções, o resultado foi comemorado pelas delegações e considerado surpreendentemente positivo por ambientalistas. O pacote teve amplo apoio de 194 países, incluindo Brasil, Estados Unidos e China – só a Bolívia foi contra. Veja os principais detalhes:
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Do contra – “A Bolívia apontou que as condições colocadas no texto, segundo parâmetros científicos, podem fazer o clima aumentar em mais 4 graus sua temperatura, o que seria inaceitável. O país se recusou a subscrever o pacote.” [2]
Sem força de lei – “Como já ficara claro mesmo antes do início da conferência, o ‘pacote balanceado’ aprovado em Cancún não tem caráter vinculante (de cumprimento obrigatório), nem faz com que países assumam novas metas concretas de redução de emissões.
No entanto, apesar de não ter tanta força, foi muito elogiado como uma peça que pode servir de base para avanços futuros, o que já é um avanço comparado com a estagnação oferecida pelo vago Acordo de Copenhague, aprovado na COP do ano passado.” [2]
“Com o Acordo de Cancún, crescem as expectativas de que a próxima reunião do clima, em Durban, na África do Sul em 2011, possa produzir um tratado legalmente vinculante, capaz de obrigar a comunidade internacional a cortar emissões de gases do efeito estufa e combater os efeitos das mudanças climáticas.” [3]
REDD – “Foi aprovado também, embora ainda sejam necessários ajustes para garantir o início de funcionamento, o mecanismo de conservação das florestas apelidado de REDD (sigla para redução de emissões por desmatamento e degradação).” [3]
Segundo a France Presse, o desmatamento provoca 20% das emissões de gases de efeito estufa no mundo.
Elogios – “Ao fim da sessão plenária que aprovou o acordo, ministros e negociadores não pouparam elogios ao resultado.
A presidente do encontro mexicano, a ministra do Exterior Patricia Espinosa, foi muito elogiada por proporcionar um processo marcado por transparência.
O encontro anterior, em Copenhague, foi marcado por desconfianças entre blocos de países, alimentados pela circulação de documentos 'secretos' que não haviam sido negociados por todos os participantes.” [3]
Fundo Verde – “Uma das partes do pacote retoma o compromisso aberto pelo Acordo de Copenhague, de que os países desenvolvidos financiariam ações de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, no valor de US$ 30 bilhões até 2012. Propõe ainda a formação de um fundo climático de US$ 100 bilhões ao ano até 2020. O Banco Mundial é convidado para ajudar a administrar ambos, pelo menos incialmente.” [2]
Kyoto: impasse – “As conversas tinham entrado em um impasse depois que Japão, Rússia e Canadá disseram não querer uma extensão no Protocolo de Kyoto, que obriga cerca de 40 países desenvolvidos a cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa e só vale até 2012.
Os países em desenvolvimento alegavam que as nações ricas tinham maior responsabilidade no combate ao aquecimento global e, portanto, deveriam estender o Protocolo de Kyoto sem forçar outros países com metas de emissões de gases, que limitariam a habilidade deles em estimular o crescimento econômico e diminuir a pobreza. Assim, as nações em desenvolvimento deveriam apenas diminuir o aumento de suas emissões, em vez de cortá-las.” [1]
Kyoto: estratégias – “O grupo que negociava a segunda fase de compromisso, liderado por Brasil e Reino Unido, apresentou um texto em que se reafirma a necessidade da renovação do protocolo, ponto que nações como Japão e Canadá antes questionavam, mas sem assumir de fato o acordo. O texto diz que a questão deve ser definida 'o mais rápido possível', a tempo de não permitir que os países desenvolvidos fiquem sem metas de redução de emissão de gases-estufa.
Para o negociador-chefe brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, essa saída 'dá um novo impulso às negociações para superar esse momento menos positivo'. A renovação do protocolo era um ponto defendido pelo Brasil, assim como por todo o G77, grupo dos países em desenvolvimento do qual faz parte. 'Quando está num momento ruim de uma negociação, você não a termina. Você adia para dar mais tempo para buscar uma saída melhor', acrescentou.” [2]
Fontes: Reuters [1], G1 [2] e BBC [3] (via G1).
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Enquanto isso, na COP 16...
Do G1 via AmbienteBrasil:
Governos de quase 200 países tentavam na quarta-feira (8) superar o impasse entre países ricos e pobres a respeito das medidas necessárias para combater o aquecimento global e evitar um novo fracasso numa conferência climática da ONU, a exemplo do que ocorreu no ano passado em Copenhague.
A atual conferência tem sido dominada pela questão da prorrogação do Protocolo de Kyoto, que impõe reduções nas emissões de gases do efeito estufa a cerca de 40 países desenvolvidos, poupando as nações em desenvolvimento. Japão, Canadá e Rússia dizem que não aceitarão prorrogar o tratado, que expira em 2012, se grandes nações emergentes, como China e Índia, também não tiverem obrigações a cumprir. (...)
Um dos objetivos dos negociadores é estabelecer um novo fundo financeiro para ajudar os países em desenvolvimento a combaterem a mudança climática, além de aprovarem mecanismos relacionados a proteção florestal e compartilhamento de energias limpas.
Se nem esses passos modestos forem dados em Cancún, será praticamente a repetição da conferência de Copenhague, que começou sob a expectativa de um novo tratado de cumprimento obrigatório para todos os países – mas terminou apenas com uma vaga declaração por parte dos principais governos, comprometendo-se a limitar o aumento da temperatura média global em 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Papai Noel faz pronunciamento e promete ajudar o planeta
A Rede Smart de Supermercados lançou o Movimento Pelo Planeta na comemoração de seus 10 anos para mostrar que nossas atitudes fazem a diferença e geram transformações na busca por um mundo melhor. E, neste Natal, a Rede Smart continua nesta luta sustentável.
Devido ao aquecimento global, a Santa Claus Toy Distribution (fábrica de brinquedos do Papai Noel) foi ameaçada pelo degelo polar. Motivado pelo vídeo “Discurso”, do Movimento Pelo Planeta, o transtornado velhinho percebeu uma grande oportunidade de fazer seu manifesto.
Ele resolve, então, vir ao Brasil divulgando ações de conscientização para ajudar o planeta contra os graves problemas ecológicos. Assim que chegar ao nosso país, o Noel vai distribuir prêmios e presentear com R$ 10.000 o projeto ambiental mais votado pelos internautas.
A OPA está concorrendo com o Projeto Jogo Limpo, que trabalha a Educação Socioambiental com crianças de escolas públicas. Precisamos do seu apoio. Acesse o site e vote, clicando em "Entrar" e, logo depois, no botão preto que está abaixo da marca da OPA. Divulgue também esta mensagem no Twitter:
Vote na @opaong com o Projeto @JogoLimpo! http://migre.me/2LEaf #movnoel
Acompanhe o trajeto do bom velhinho e saiba mais sobre o Movimento Pelo Planeta no site www.movimentopeloplaneta.com e no twitter @mov_peloplaneta.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A COP16 e o caçador solitário [EXCLUSIVO]
Por Samuel Silva - contribuição especial
Samuel Silva, que assim como o Pedro Soares é um dos 21 integrantes brasileiros do Programa Climate Generation, do British Council, fez um artigo sobre a COP16 com a sua visão sobre o evento. Confira!
A COP 16 de Cancun e a cabana de Dersu Uzala
Mais um final de ano vem chegando e renascem as esperanças de vermos os líderes mundiais concretizarem um acordo global para reduzir as emissões dos gases de Efeito Estufa.
Desta vez o belíssimo balneário de Cancun, no México, é sede da 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. De 29 de novembro a 10 de dezembro, a cidade hospeda a expectativa de não ser apenas conhecida como um lugar de praias paradisíacas, mas também por emprestar seu nome para o novo acordo mundial sobre mudanças climáticas, que substituirá o Protocolo de Kyoto, a partir de 2012. Pois, como rege a tradição diplomática, todo acordo internacional é batizado com o nome da cidade onde foi assinado.
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Durante 16 anos várias cidades viram suas expectativas se tornarem frustração. De Berlin na Alemanha em 1995 a Copenhagen na Dinamarca em 2009, somente Kyoto no Japão em 1997 estampou seu nome e esperanças em um acordo mundial sobre mudanças climáticas, que, infelizmente, vem patinando desde então. À época, os Estados Unidos de George W. Bush, que respondiam sozinhos por 22% das emissões mundiais dos gases do aquecimento global, acreditavam que diminuir suas emissões significaria recessão, desemprego, crise mundial e etc.
Bem, ele só esqueceu de murchar a bolha do sistema imobiliário.
Mas, e agora? Será que as atuais lideranças globais conseguirão escrever seus nomes nos livros de história, como aqueles heróis que conciliaram os interesses da política interna de seus países, com equilíbrio ambiental e desenvolvimento econômico mundial, o qual ainda se sustenta nos combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo)? Nesta difícil equação devemos acrescentar a economia da União Européia andando de lado, o todo poderoso Estados Unidos com previsão de crescimento anêmico em 2011, a China comunista, que não para de crescer, querendo colocar 400 milhões de pessoas na sociedade de consumo até 2020, e mais Brasil, Índia e Rússia com previsão de crescimento na casa dos dois dígitos.
Ou estes líderes serão os representantes de uma sociedade que consumiu os recursos do planeta de forma desenfreada, que cobriu o planeta com um cobertor de gases do Efeito Estufa e que se esqueceu de exemplos como o do solitário caçador asiático eternizado no filme Dersu Uzala, obra prima do cineasta Akira Kurosawa? Quando Dersu passa por uma cabana de descanso, às margens de uma trilha, ele para sua jornada por alguns instantes e começa a consertar seu telhado, repõe o estoque de lenha e, por fim, solicita ao chefe da expedição uma porção de sal, fósforo e arroz. Os soldados russos que faziam parte daquela expedição de levantamento topográfico na Sibéria riem daquela atitude insana do nativo, enquanto o capitão russo observa aquela cena e relata o ensinamento em seu diário:
“Dersu mostra toda sua nobreza ao se preocupar com os próximos hóspedes desta cabana sem se preocupar em conhecê-los.”
Bem, quanto às pretensões do balneário mexicano, já me parecem devaneios.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
COP16: "Os seres humanos passaram a se sentir superiores" [EXCLUSIVO]
Por Pedro Soares, direto de Cancun, México - contribuição especial
Conforme esperado no início do evento, as negociações pouco avançaram até agora dentro da UNFCCC.
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Ontem, quarta-feira (01/12/2010) pelos corredores, se ouvia que o Japão havia declarado que se desligaria de qualquer compromisso para o segundo período do Protocolo de Quioto, caso Estados Unidos e China não se comprometessem e assumissem metas de redução de emissão a partir de 2012.
Os grupos jovens que estão dentro da COP (conhecidos como YOUNGO) estão organizando algumas ações para chamar a atenção do público da importância de chegarmos a um acordo global de redução de emissões. Estas ações ocorrerão sexta-feira e segunda-feira (sobre os mecanismos de REDD [Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal] e LULUCF – Land Use, Land Use Change and Forestry [Uso da Terra, Mudança no Uso da Terra e Florestas, na tradução livre]).
Chamou a atenção um side-event ontem, por volta das 20h15, que tratava sobre mudanças climáticas e espiritualismo. O evento contou com seis palestrantes de diferentes religiões e, diferentemente do que estamos acostumados a ver, estavam com um consenso: os seres humanos chegaram a um ponto de dominação da natureza e exploração dos recursos que passaram a se sentir superiores. Este sentimento de superioridade reflete na forma como lidamos com as questões ambientais e o pouco caso que fazemos com os impactos e cenários futuros advindos desta exploração desenfreada.
Ainda esta semana, está agendado um encontro dos Climate Champions com a Christiana Figueres, Secretária Executiva da UNFCCC.
Vídeos: Por dentro da COP 16 [EXCLUSIVO]
Pedro Soares, direto de Cancun, no México, enviou para o Blog do Jogo Limpo dois vídeos que mostram um pouquinho dos bastidores da COP 16. No primeiro, uma apresentação de mariachis, grupos de música que fazem parte da cultura popular tradicional do México. No segundo, algumas cenas do coquetel de abertura do evento.
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