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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Recicle sua rotina: velhos hábitos viram novidade


Há quem diga que o futuro não está no desenvolvimento sustentável, mas sim no regresso sustentável, ou seja, em mudar a rotina retomando velhos hábitos, de forma a diminuir o ritmo do cotidiano e, consequentemente, da exploração de recursos naturais. Nem todos concordam, mas, de fato, algumas práticas que nossos pais ou avós tinham estão voltando a entrar na moda, de acordo com o site estadunidense The Daily Green (TDG).

Segundo Ann Mack, da JWT Intelligence (agência de comunicação), os EUA estão assistindo ao nascimento de uma cultura racional pós-crise que, de forma não intencional, respeita o meio ambiente. “Quanto mais pessoas abraçarem essas maneiras de economizar dinheiro e exercer criatividade, mais esse comportamento acidentalmente verde vai se tornar enraizado”, afirma.

Veja as principais tendências que o site aponta. A lista completa, em inglês, pode ser vista aqui.

Cozinhar em casa
A recessão inspirou mais pessoas a cortarem despesas para comer fora e se familiarizar de novo com suas cozinhas. Isso foi reforçado com o movimento pela comida local e o aumento dos ingredientes de qualidade. Segundo o TDG, aulas de culinária e livros de receitas serão os melhores presentes do ano.

“Fazenda no quintal”
A primeira dama dos EUA, Michelle Obama, fez o movimento pela agricultura doméstica ganhar força em 2009, quando ela plantou uma bela horta orgânica no Gramado Sul da Casa Branca. O The Daily Green, no entanto, pergunta: a primeira-dama está preparada para galinhas ou cabras? Os adeptos da “fazenda em casa” estão inovando por voltar a um tempo em que toda casa tinha um galinheiro. Já existem até criadores urbanos de abelhas. De acordo com o site, não vai demorar muito até o gado se juntar às galinhas nas “roças de quintal” do futuro.


Bicicletas
Elas nunca saíram de moda, mas a proliferação de ciclovias, parques adaptados para o ciclismo e vagas para bicicletas nas cidades estadunidenses tem feito a compra e o uso das magrelas ser mais fácil do que nunca. Bicicletas e outras formas de transporte local se tornarão mais comuns à medida que os benefícios para a saúde e a economia continuem a crescer nas cidades amigas do ciclista.

Varal
É o retorno das tecnologias simples e inteligentes. Por mais singelo que um varal seja, ele seca suas roupas sem o uso da eletricidade. “Ativistas ambientais em todo os EUA e Canadá estão trabalhando para tornar seguro (e legal) para as pessoas economizar energia pendurando as roupas para secar”, disse Mack. Legal? Sim. Algumas comunidades nos EUA não permitem que seus moradores deixem roupas no viral (saiba mais – em inglês).

Voluntariado
A recessão abriu os olhos de muitas pessoas para a fragilidade do dinheiro. Além disso, fez com que as pessoas ficassem com mais tempo livre, mesmo sem querer. Ajudar a comunidade era, há tempos, um modo de vida nas pequenas cidades: o açougueiro local era também o bombeiro, a dona de casa era a professora... O voluntariado resiste, portanto, as pessoas devem continuar sendo generosas no seu tempo livre, mesmo porque assim é mais fácil preenchê-lo.

Carros usados
Os carrões ao estilo dos velhos modelos do Salão de Detroit estão ultrapassados, e a venda de carros elétricos ainda é tímida. Por isso, segundo o TDG, a próxima tendência em matéria de carros são os carros usados. Com os orçamentos apertados e as montadoras se recuperando da crise, o consumidor norte-americano deve procurar carros mais velhos que sejam confiáveis e economizem combustível.

Adaptado e traduzido do The Daily Green.


Fotos: coralsea e mailsparky/stock.xchng

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Menos CO2 = Mais $$$


Da Envolverde:

Algumas das empresas mais bem conceituadas do mundo participaram da reunião dos líderes do G8 na Itália, neste mês de Julho, para discutir um acordo climático global, a ser fechado até o final de 2009, e definir metas ambiciosas para reduzir as emissões de carbono.

Dezenove empresas líderes de mercado – incluindo a Johnson & Johnson, Nike, Lafarge, Tetra Pak, Nokia, HP, e Coca-Cola – se uniram ao WWF, a maior organização de conservação do mundo para anunciar uma nova campanha para que os governos e os legisladores “Permitam o Início da Economia Limpa” (Let the Clean Economy Begin).

“Tradicionalmente, os governos definem metas ambientais para as empresas,” comentou Oliver Rapf, presidente do WWF Climate Business Engagement. “Desta vez, muitas das empresas líderes mundiais já estão à frente nesta questão e estão exigindo que os governos apresentem um modelo criterioso para reduzir as emissões de CO2 em todo o mundo.” (...)

“O G8 se refere às economias e aos negócios de sucesso,” disse o diretor geral internacional do WWF James Leape. “Os líderes do G8 precisam reconhecer que criar um futuro com baixa emissão de carbono é vital e essencial – para o planeta, para os negócios e para a economia global.”

A campanha ‘Defensores do Clima’, comentou James Leape, tem como foco a inovação e as soluções. “As empresas ‘Defensoras do Clima’ fizeram seus negócios crescer enquanto reduziam suas emissões. Elas provaram que o crescimento e a baixa emissão de carbono são mais do que compatíveis – eles se complementam. A mensagem das empresas ‘Defensoras do Clima’ para os políticos é: Nós conseguimos fazer isso – agora é a sua vez.”
Fonte: biewoef/stock.xchng

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Empregos verdes: solução para a(s) crise(s)?



Da Envolverde/ANDI Mudanças Climáticas:

A crise financeira mundial e a oportunidade de transição para uma nova economia menos carbono intensiva são temas que vêm sendo intensamente discutidos no cenário internacional. A economia verde surge como estratégia inadiável em um cenário no qual as mudanças do clima ditam a necessidade de remodelação de mercados, negócios e tecnologias. Entretanto, a urgência de medidas efetivas segue contrastando com o lento ritmo das ações implementadas pelos países. (...)

Brasil na contramão?

“As medidas do governo brasileiro para evitar mais impactos da crise financeira não consideram a questão ambiental”, avalia o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. Ele destaca que o país está perdendo uma grande oportunidade de estimular a chamada economia verde e de fato promover o desenvolvimento sustentável.

“O governo poderia, ao mesmo tempo, incentivar o emprego e também impulsionar uma economia moderna, que é aquela com baixo consumo de eletricidade, menos carbono intensiva”, aponta o ambientalista.

Na opinião de Leitão, o Brasil só visualiza o lado econômico da crise, sem identificar as possibilidades que podem gerar menos impacto. “As medidas adotadas para fortalecer a indústria automobilística, por exemplo, também poderiam incluir ações compensatórias do ponto de vista ambiental. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) poderia ter sido condicionada à maior rapidez no desenvolvimento e na produção de motores adaptados a diesel menos poluente”, critica.

Compromisso brasileiro

“O presidente Lula esteve em Genebra e se comprometeu, ao assinar termo de cooperação com a OIT, a implementar o Plano Nacional de Trabalho Decente, o qual traz uma série de iniciativas visando os empregos verdes. Podemos afirmar que este é o primeiro compromisso oficial do governo para incentivar esse tipo de trabalho no país”, explica Paulo Sérgio [Muçouçah, coordenador de Programas de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT].

Leia também: Brasil avança rumo a criação de trabalho decente e empregos verdes

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Brasil: mau exemplo e bom exemplo


Lula afirma que vai acabar com "algazarra" na área ambiental

Da Folha Online via AmbienteBrasil:

O presidente Lula falou na terça-feira (2) em "problema de divergências" ao se referir aos recentes embates entre a área ambiental do governo e os ministros que defendem flexibilizações e ajustes na legislação para o avanço da agricultura e de estradas, por exemplo. (...)

Quando questionado sobre o tema, o presidente fez uma comparação com famílias com muitos filhos. "Toda a vez que o pai sai de casa, a meninada faz algazarra mais do que deveria."

Sem citá-lo, Lula repreendeu o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) que, após conversa com ele na semana passada, reclamou publicamente de alguns ministros e disse que os avanços de obras infraestrutura não ocorrem no mesmo ritmo da preservação ambiental.
Investimentos em energia limpa superam combustíveis fósseis

Do Estadão Online via AmbienteBrasil:

Em 2008, pela primeira vez na história, os investimentos em energias limpas superaram os feitos em fontes de combustíveis fósseis e chegaram a US$ 155 bilhões, revelou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O valor de 2008 representa quatro vezes os investimentos feitos em energias limpas em 2004, apesar da extrema dificuldade pelas quais os mercados financeiros passaram no ano passado pela crise econômica global, segundo o relatório Tendências Globais de Investimentos em Energia Sustentável.

Achim Steiner, vice-secretário-geral da ONU e diretor-executivo do Pnuma, reconheceu que "a crise econômica afetou os investimentos em energia limpa quando se vê em comparação com o crescimento recorde dos últimos anos". (...)

O titular do Pnuma disse que países como Brasil, Chile, Peru e Filipinas estão trabalhando para desenvolver políticas e leis para fomentar a energia limpa.
Foto: woodsy/stock.xchng

terça-feira, 10 de março de 2009

E a crise ataca novamente...


Do CarbonoBrasil via Envolverde:

O relatório Global Futures 2009, divulgado em Londres na última semana, demonstra que se a taxa de crescimento dos investimentos em energias limpas permanecer a atual em 2020 a soma será de apenas US$ 350 bilhões, bem abaixo dos US$ 500 bilhões que seriam necessários para neutralizar as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Apesar da crise também causar a queda da produção industrial, que poderá reduzir as emissões de CO2, o estudo, de autoria da companhia New Energy Finance (NEF), considera que a estagnação dos investimentos terá um impacto muito maior no aquecimento global. (...)

Pesquisadores já afirmaram que se as emissões se mantiverem no ritmo atual, em 2020 os efeitos mais severos do aquecimento global serão irreversíveis. (...)

Outro fator perverso para o meio ambiente que a crise financeira estaria provocando é o de que a discussão climática está ficando em segundo plano. Países como EUA e China, que ainda tem muito de sua energia baseada no carvão, não conseguem diminuir essa dependência porque, além de lobbies e interesses, a indústria do setor gera muitos empregos. Dessa forma, qualquer decisão que, mesmo minimamente, afete os postos de trabalho se torna bastante impopular. (grifo nosso)
Leia também o nosso especial sobre a crise econômica versus a crise ecológica:

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Salvem a economia, mas salvem o clima!


Da Folha Online via AmbienteBrasil:

Cerca de 50 ONGs, entre elas a Oxfam, o Greenpeace e a WWF, pediram nesta quinta-feira (19) aos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) que fixem um novo plano de recuperação econômica "ecológico" na cúpula que realizarão em 19 e 20 de março.

Em comunicado divulgado na quinta-feira pela Oxfam, as organizações defenderam os incentivos fiscais às empresas mais respeitosas ao meio ambiente, para, assim, apostar em uma "recuperação econômica sustentável", em vez de "tirar de apuros" as indústrias poluentes.

Além disso, pediram a criação de um mecanismo financeiro internacional que apoie iniciativas como a energia limpa ou a proteção das florestas nos países em vias de desenvolvimento.

As organizações lembraram aos líderes europeus que a crise econômica não é uma desculpa para que descuidem da 'crise climática', já que esta é "uma ameaça maior para os cidadãos e as economias de todo o mundo."

Assim, afirmaram que os líderes políticos têm agora "menos de 300 dias", em referência à cúpula da ONU sobre o clima que será realizada em dezembro, em Copenhague, para fixar uma estratégia que "salve o mundo dos enormes custos do aquecimento global e proteja a vida das pessoas pobres nos países em vias de desenvolvimento."

Segundo as ONGs, esse plano poderia fomentar o crescimento econômico, criar milhões de empregos qualificados em setores "ecológicos" e garantir o fornecimento de energia "segura" para as gerações futuras.

Por isso, pedem aos países ricos, que, na sua opinião, causaram a crise climática, que invistam dinheiro público na proteção do meio ambiente em seus países, mas também nos em desenvolvimento.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ONU defende que a crise climática é mais séria que a econômica


Da Abril (adaptado):

O mundo deve evitar um retrocesso na luta contra o aquecimento global, e precisaria criar um "New Deal Verde" para atacar ao mesmo tempo a crise climática e a crise ambiental, disse na quinta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

"Devemos nos recomprometer com a urgência da nossa causa", disse Ban a cerca de 100 ministros de Meio Ambiente reunidos entre os dias 10 e 12 na Polônia, onde discutem detalhes de um novo tratado climático global, processo ofuscado nos últimos meses pelo temor de uma recessão global.

"Não pode haver retrocesso em nossos compromissos com um futuro de baixas emissões de carbono," disse Ban. "Sim, a crise econômica é séria. Mas, quando se trata de mudança climática, há muito mais em jogo. A crise climática afeta nossa potencial prosperidade e a vida das pessoas, tanto agora quanto no futuro distante."

"Enfrentamos duas crises juntas: mudança climática e a economia global. Mas essas crises nos apresentam uma grande oportunidade, uma oportunidade de tratar de ambos os desafios simultaneamente", afirmou.

O evento da ONU na Polônia é parte de um processo iniciado em 2008 em Bali, que visa a concluir até dezembro do ano que vem, numa cúpula na Dinamarca, um tratado climático que irá substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2013.
Foto: spekulator/stock.xchng

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Crise dificulta acordos climáticos para 2009


Da Reuters via Yahoo! Notícias:

A recessão e a mudança de governo nos Estados Unidos tornam improvável que o mundo cumpra em 2009 a meta de assinar um acordo completamente novo para combater o aquecimento global, disseram delegados em um encontro climático da Organização das Nações Unidas (ONU).

Há um ano, 190 países decidiram trabalhar pela aprovação de um acordo climático abrangente no final de 2009, em um encontro em Copenhague. Mas negociadores e analistas que compareceram à uma reunião prévia em Poznan, Polônia, entre 1o e 12 de dezembro, dizem que o objetivo parece difícil de ser alcançado.

O mais longe que pode ser alcançado no ano que vem, para muitos, são os princípios para um pacto, ainda que alguns digam que isso seja muito pessimista. (...)

O prazo de 2009 foi estabelecido para assegurar que as novas metas de redução de emissão de gases possam ser ratificadas em todo o mundo antes da expiração das metas do Protocolo de Kyoto, em 2012.
Saiba mais: Como a crise econômica afeta o meio ambiente - Seleção especial de notícias

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mesmo em crise, Obama garante que EUA lutarão contra as mudanças climáticas


Do G1:

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, disse nesta terça-feira (18) que o país vai "empenhar-se vigorosamente" nas discussões sobre mudança climática quando ele assumir e prometeu que, apesar da crise financeira, o país vai se ater aos planos para reduzir profundamente as emissões de gases de efeito estufa até 2020.

O democrata, que durante a campanha criticou constantemente a administração de George W. Bush por sua postura em relação ao aquecimento global, reiterou seus planos de criar um sistema que limite a emissão de dióximo de carbono pelas grande indústrias. (...)

"Prometo isto: quando for presidente, qualquer governador que quiser promover energias limpas terá um aliado na Casa Branca. Qualquer empresa que desejar investir em energias limpas terá um aliado em Washington. E qualquer país que desejar se unir à causa contra a mudança climática terá um aliado nos EUA", disse. (...)

Quando eu assumir, vocês podem estar certos de que os EUA vão se engajar vigorosamente de novo nas negociações e vão ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global na questão na mudança climática", disse.
Notinha: alcançamos a marca de 200 posts! Obrigado, visitantes!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

No meio da crise, exemplos de como sustentabilidade pode significar oportunidade


Será que o colapso financeiro é motivo para deixar o meio ambiente mais uma vez de lado e fazer com que o Homo sapiens não perceba que ao destruir a natureza está destruindo a si mesmo?

Lideranças políticas continuam mostrando que a luta ambiental não pode ser prejudicada por causa da crise financeira. O direcionamento de recursos contra as mudanças climáticas e contra a degradação ambiental não vai desacelerar a economia. Pelo contrário: muitas oportunidades podem surgir para o mercado de produtos sustentáveis e para quem investe em energia limpa. Uma reportagem do site O Eco mostra a opinião do governo alemão:

Na contramão do mercado, a crise financeira torna os investimentos em eficiência energética ainda mais atraentes, segundo o Ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel. Ele destaca a atual crise financeira como uma grande oportunidade de investimentos no combate às mudanças climáticas, principalmente em tecnologias de eficiência energética. Gabriel afirma que o mercado de tecnologias, energia e matérias-primas será nos próximos anos um grande nicho internacional e relembra que, quando se trata de mudança do clima, o custo da prevenção é significativamente menor que o custo de remediação dos seus impactos. (...)

Do outro lado, alguns países da União Européia, como a Itália, República Checa e Polônia, têm criticado essas metas, alegando que o pacote europeu de combate às mudanças climáticas é muito rigoroso, podendo até arruinar as suas economias. Ameaçam que assim poderão ser forçados a deixar o bloco.

Será que esses países terão mesmo as suas economias comprometidas a ponto de deixar a União? Ou estão só fazendo ameaças? Como se já não bastasse a preocupação com a crise financeira e com a adaptação à mudança do clima, os países envolvidos nessas discussões acabarão gastando ainda mais energia (em todos os sentidos) para defender seus interesses financeiros e políticos. Pelo visto acabará sobrando para o clima mesmo, que com certeza vai reagir sem piedade à falta de atenção.


Ao mesmo tempo, ao economizar recursos naturais, reduzindo o consumo e procurando alternativas ecologicamente mais eficientes, a sociedade por conseqüência poupa dinheiro e pode investí-lo na aquisição de bens e serviços. Isso acontece na Califórnia, como resultado de trinta anos de uma legislação que promove a economia de energia. Este caso também é revelado em outra reportagem d'O Eco:

Trinta anos de sérios apertos no consumo de eletricidade pelo estado da Califórnia criaram, desde 1978, um milhão e meio de empregos extras. Parece mágica. Ou, pelo menos, bom demais para ser verdade. Mas é pura lógica de mercado, diz o professor David Roland-Host, de um centro de estudos sobre energia e uso sustentável de recursos naturais na universidade de Berkeley.

Em plena crise das hipotecas, eis que surge esta semana um economista disposto a provar que o tal do mercado funciona mesmo. No caso, empurrado pela legislação estadual, que forçou os consumidores californianos a gastar menos com suas contas de luz. As sobras, eles naturalmente passaram a botar em outras coisas. (...)

Não por acaso, o relatório de Roland-Host se chama “Eficiência energética, inovação e empregos”. Trocado em miúdos pelo autor, ele está aí para anunciar que “a eficiência energética de fato estimula a economia”. De quebra, tem dividendos ambientais.

Ilustração: barunpatro/stock.xchng

sábado, 18 de outubro de 2008

Enquanto isso, na Europa...


Na França: Paris acaba de ser dominada por 1.600 pandas. Em uma ação organizada pelo WWF para alertar as pessoas sobre a destruição do meio ambiente, 1.600 pandas feitos de papel machê foram expostos em frente à Torre Eiffel. O número é igual à atual população mundial de pandas.*

No Reino Unido: o Governo de Londres pode se tornar um exemplo para o mundo, no que diz respeito ao compromisso com o meio ambiente. Em resposta às declarações da Itália e da Polônia de que a luta contra o aquecimento global poderia ser interrompida devido à crise econômica mundial, o ministro britânico da Energia e Mudança Climática, Ed Miliband, anunciou nova meta de corte de emissão de gases do efeito estufa. A meta agora é de 80%, mais ambiciosa que a meta anterior, de 60%.

O político trabalhista [Miliband] explicou, ao mesmo tempo, aos deputados que o agravamento das condições econômicas não podem ser desculpa para voltar atrás no compromisso de combater a mudança climática. (...)

O ministro reconheceu que as últimas pesquisas científicas independentes indicam que a ameaça da mudança climática é maior do que se pensava antes.

Ao mesmo tempo, o político britânico insistiu em que os compromissos de redução dos gases do efeito estufa não devem vir só de Londres, mas do resto da Europa.**
As informações são do G1 e do WWF (*) e do Estadão Online via Ambiente Brasil (**). Foto: WWF.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Crise pode afetar luta contra o aquecimento global


A crise financeira internacional pode ameaçar as negociações entre os governos da União Européia para conter as mudanças climáticas. O governo italiano ameaçou vetar o plano de ação europeu contra o aquecimento global, devido à turbulência na economia.

Já o primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse que "não é o momento de abandonar a agenda contra a mudança climática, que é importante para o futuro", pois ela "é parte da solução para muitos dos problemas que enfrentamos como economia mundial".

Em cúpula do Conselho Europeu encerrada hoje (16), Nicolas Sarkozy, presidente da França, frisou que "não podemos dar marcha à ré no objetivo 20-20-20", pois "a crise não pode frear nossa ambição", referindo-se à meta de reduzir as emissões de CO2 em 20%, fazer com que 20% da energia final consumida seja renovável e diminuir em 20% o consumo energético, tudo isso para o ano de 2020.

Felizmente, os países ricos ainda sinalizam que vão cumprir com o compromisso de ajudar os fundos climáticos. Foi o que garantiu Kathy Sierra, vice-presidente do Banco Mundial para o desenvolvimento sustentável, de acordo com a reportagem do Estadão Online via AmbienteBrasil:

No domingo (12), o presidente do Banco Mundial, Roberto Zoellick, dissera que "uma das lições da crise de hoje é que é preciso estar à frente das coisas, então não há dúvida de que a mudança climática é um problema hoje e será um problema amanhã."

Sierra disse que ainda não se sabe se a ajuda financeira continuará sendo despejada no setor privado, e que isso pode vir a ser um desafio.

Entretanto, segundo ela, uma conseqüência da atual crise financeira poderia ser um aumento da demanda pelo desenvolvimento sustentável, como forma de reduzir custos.

"Suspeito que haverá ainda mais demanda, porque muitas das soluções para a economia real vão surgir na busca por oportunidades para reduzir custos e ser mais eficiente. Então a eficiência energética, por exemplo, será ainda mais importante daqui para frente", disse ela.
Saiba mais: O que a crise econômica tem a ver com meio ambiente?

(Com informações do Yahoo! via AmbienteBrasil [1, 2] e do G1. Foto: still_thinking/Flickr)

sábado, 11 de outubro de 2008

O que a crise econômica tem a ver com meio ambiente?


A crise nos sistemas imobiliário e financeiro dos Estados Unidos está colocando todo o planeta em alerta para a iminência de uma futura recessão. O risco de um colapso econômico chamou a atenção da mídia e deixou ofuscado, pelo menos nas últimas semanas, o risco de outro colapso igualmente sério - o ambiental.

Embora possa ser difícil perceber, a questão ecológica também está associada ao episódio americano. Reportagem da AFP via Yahoo! Notícias mostra a expectativa dos ambientalistas para mostrar ao mundo como o desenvolvimento sustentável é indispensável em mais este momento:

"Tenho esperança porque há exemplos que mostram que o investimento em meio ambiente é mais uma oportunidade do que um peso. Esses exemplos não existiam há dez anos", afirma Olivier Schaefer, do Conselho Europeu de Energias Renováveis, com sede em Bruxelas.

Os especialistas em meio ambiente vêem assim na crise financeira uma oportunidade de ouro.

"Precisamos de um novo pensamento econômico que reconheça que as questões econômicas e financeiras e as do clima estão estreitamente relacionadas", considera Terry Barker, diretor do Centro de Pesquisas sobre a Luta contra as Mudanças Climáticos da Universidade de Cambridge.

Em sua opinião, livrar a economia de sua dependência de petróleo e de gás é "a resposta à crise financeira, porque para obtê-lo, precisamos de um programa de investimentos maciço".

Outra notícia, do Estadão Online via AmbienteBrasil, revela que o desmatamento representa mais riscos à economia do planeta do que a crise financeira, pois a destruição do meio ambiente exige investimentos em recuperação e fornecimento de "serviços" que a natureza oferece de graça:

A economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Européia. A pesquisa, A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os desperdícios anuais com o desmatamento vão de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões.

O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono. O estudo tem sido discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, que está sendo realizado em Barcelona. (...)

Alguns participantes do evento esperam que o novo estudo será uma nova forma de convencer legisladores a criar políticas que financiem a proteção da natureza em vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.
Fotos: cable89/Flickr e renatodc/stock.xchng